quinta-feira, 11 de julho de 2013

CARNAVAL

E vem a noite e de repente ouço
a tua voz a me dizer palavras quentes,
o roçar da tua barba em meu pescoço,
tuas mãos a percorre-me o dorso
e teus lábios a me queimar suavemente.
Teus olhos doces e cheios de feitiço
me pousam o corpo nu, ainda quente
 me enchem  de alegria desse amor mestiço.
Ah esse instante de contentamento
escorre pela noite ... eternamente!
Eu poderia morrer de  puro encantamento
quando o corpo e o coração em sintonia
vibram de emoção  e de agonia!
Forte, me toma  então, esse amor e essa fantasia
 e escorrem em  meus olhos, ao mesmo tempo
em que afrouxas o teu  corpo cheio de alegria.
E, então,  me vem a sensação da ultima alegoria
pisando no asfalto o seu melhor momento!

Vandinha Valle

 



REFLEXÃO



E quanto versa o tempo ,
tempo tão vadio
que voa pelo espaço
aproveitando o estio,
e que vai virando tempo de esperança.
O verde colorido na lembrança,
são tempos idos, de igual saudade.
constroem-se novas amizades....
louco, um poeta que vagueia
murmura qualquer coisa
e a mão tateia em algo que rabisca ...
-Passa um pirilampo vagabundo
num interminável pisca pisca.
Vadio, como eu jogada nessa rede,
Bate as asas e foge pelo mundo.
Quisera fugir contigo vagalume

Vandinha Valle

quinta-feira, 4 de abril de 2013

DOCE PECADO



Ah cheiro tão doce
de terra molhada,
de moça acanhada...
que adoça,
que roça, que coça
 e enche de desejo o seu coração.
Mulher desalmada
com corpo de fera
de gata no cio
te acende o pavio...
Jeito de pantera
que faz tripulia
e te joga no chão.

Meu cheiro é de moça,
gosto de cachaça
que cheira a desgraça
E eu acho é graça
e te tento, e te mata
o meu sim e o meu não.
O meu rebolado
 é de ancas maneiras...
Sacudo as cadeiras,
e te deixo suando,
te deixo carente,
te dou de presente
a  boca faceira!

Ficas  esperando...
-Morena maldita!
Rasgar-me o orgulho,
tirar-me essa fita,
deitar-se a meus pés
pedir-me arrego.
Desejas bulir
 os meus segredos
sonhar e dormir
em meu aconchego..
Falar-me ao ouvido:
_Me deixa , me deixa...
Mas...
Menina tem medo!

Vandinha Valle







quarta-feira, 3 de abril de 2013

ESTUPEFAÇÃO


Um dia uma amiga me disse:
_Meu pai morreu.
Ela era carne viva.
 E as lagrimas caíram dos meus olhos.
Um outro dia alguém me disse>
-Seu pai morreu.
Não senti nada , não chorei nada
Fiquei seca... Não acreditei.
Até hoje...


Vandinha Valle
ENTARDECER


Foge-me a vida lenta e triste
e corre lentamente a minha ilusão
como se escorregasse de um alto corre-mão.
Esfumaça-se o tempo
e segue adiante...Grande desilusão!!
Aonde o ardor quente e lépido?
Aonde o encantamento tépido?
Foge-me a vida. E nesse lamento
os sonhos reprimidos escapam,
sonoro soa um gemido ...
Foge-me entre os dedos
meus anos desgraçados...
Meus olhos enamorados
expressam infinita solidão..
-Café com pão, café com pão...
Roubam-me toda a alegria
e insensível o correr do dia
só se aquece a luz da prece.
Foge-me a vida... roubam-me..
Quem me dará a mão???
Grito...corro... peço em vão...
Socorro gente.... Pega o ladrão!


Vandinha Valle

domingo, 8 de abril de 2012

Preciso de amigos

Preciso de amigos... Amigos para conversar, para rir juntos, para dar
presentes, ver fotos, quem sabe viajar juntos, tomar uma cervejinha... Amigos
que consolem na dor e que  riam nas alegrias, que olhem nos olhos,
que falem bobagens... Que me respeitem  com todos os meus defeitos e todas as
minhas dificuldades, que caminhem do meu lado, que me ajudem nas travessias.
Amigos que possam saber onde estou  e que eu saiba onde estão e
 Com quem eu possa contar ! Pessoas que me liguem  ao meio do dia só pra dizer : –Como vai? - Que me
mandem mensagens de carinho, que não façam mal juízo de mim, e não comentem as
minhas trapalhadas, que venham me visitar de surpresa e me tragam agendas de
presente. Que não esqueçam o meu aniversário, que curtam musicas românticas e
antigas, que gostem de livros, que escrevam  ou  recitem poesias, que saibam contar histórias, que contem piadas
picantes e zombem do meu rosto corado.  Que gostem dos meus filhos, que curtam o
meu neto, que apreciem a minha experiência de vida -sem preconceitos. Que
gostem de cozinhar... Que gostem de mim sem limites, que apreciem falar comigo,
que saibam esperar o melhor momento, e que não me cobrem atitudes. Que não
atropelem as minhas crenças e que não pretendam mudar os meus conceitos. Que
gostem de orquídeas, que amem  a família acima
de tudo e que saibam onde vou e qual é o meu caminho.  Amigos que me admirem, que façam acelerar o
coração, que amem a Deus. Preciso de amigos que me façam rir dos meus tropeços e que não se vangloriem de suas vitórias,  que respeitem o
ganho dos outros, que não sejam  pedantes,
que não se sintam melhor que eu, que tenham   a diversidade  de atitudes correndo nas veias... Amigos que
se calem para não magoar e que falem para levantar a autoestima. Amigos  que não me  abandonem nunca ainda que eu não corresponda a suas expectativas e que saibam respeitar os meus limites . Eu preciso muito de
amigos.


Vandinha Valle  07.04.2012
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segunda-feira, 19 de março de 2012

TEMPO...TEMPO


Nada sobrou pra mim que o fio da navalha
Correndo sobre o sangue.
O estrepe no pé  que  tripudia
O olhar vazado de esperança.
A lágrima amarga no canto da boca e
O beijo contido no preto do olho.
Nada sobrou pra mim que as sobras,
O  mofo, o cocho, o destempero.
A mão cravada  no peito e
A alma crivada de sonhos.
Nada sobrou pra mim que as farpas,
O toco que estoca  na cabeça,
A roda que se agiganta no estomago
E gira nos calcanhares cheios de calos.
Nada sobrou pra mim
Que o turvar do tempo sobre um esqueleto frio e feio,
O verme que se enrosca na areia quente
A espreita de mim.
O guizo a ressoar na noite das bruxas,
O gozo da matraca a cantar no meu anteceder.
Nada sobrou pra mim, nem sorte, nem morte!
Mas a fúria, o fuso e a roca.
Um unguento  fétido e  visguento
Que alivia tempestades e afugenta a Lua cheia.
Nada sobrou pra mim....
Vandinha Valle