terça-feira, 19 de julho de 2011

NA CONTRAMÃO



Quero a sua palavra rude dentro do meu ouvido surdo.
Quero o seu beijo vermelho dentro do meu sangue quente.
Quero a sua alma dentro do meu corpo inerte.
Quero o seu cheiro doce dentro do meu paladar faminto.
Quero o frescor da sua saliva dentro da minha sede insana.
Quero a sua loucura ardente dentro da minha razão obsoleta.
Quero a sua obscenidade dentro dos meus preconceitos absurdos.
Quero a sua coragem cega dentro da minha louca covardia.
Quero a sua arrogância dentro da minha suposta humildade
Quero a sua imprudência dentro da minha fragilidade.
Quero o seu atrevimento dentro da minha perplexidade.
Quero a sua viagem sem fim dentro  da minha chegada.


Vandinha Valle

segunda-feira, 18 de julho de 2011

UTOPIA



No ar, explícita, a razão se desvaria...
Posso mas não quero.
Quero  mas não posso...
Quem ha de compreender?
Ah essa utopia ...
que me torna plena
e tão vazia.

Vandinha Valle

sexta-feira, 15 de julho de 2011

EXPERIÊNCIA





Tão tolos os moços que me olham com cobiça
e preconceito.
Fazem–me  pensar que a juventude é por vezes
Um tempero ardido demais.
Aguardo, por isso, que  adocem,
Pacientemente.

Vandinha Valle

segunda-feira, 4 de julho de 2011

REFLEXÃO



Nada às vezes tem encanto.
Mas o cheio preenche o vago, o nulo,
E o quase também. Ao inverso, entretanto,
Sem a base não agüentaria o pulo.
Se   tudo for mudado, e portanto,
O cheio ficasse vago e o vago derramasse,
Viria o protesto de algum canto.
Que vazias são as pessoas. E quanto!
E não haveria quem agüentasse
O avesso de si mesmas. Se tanto!

Vandinha Valle