quinta-feira, 30 de junho de 2011

ANGUSTIA


O cigarro queimando no cinzeiro.
A água morna correndo no chuveiro...
Nada tem sentido se estamos sós!
E existe solidão acompanhada.
E dói mais quando pela madrugada
Ouvimos a nossa voz vindo do nada.
Solidão mata e é devagarzinho.
Feito arsênico que se põe no vinho
Tomado a goles rápidos
Não se sente o gosto.
Mais tarde só se vê no rosto
Marcas tristes, lábios apertados;
E um tom de dor nos olhos apagados. 

 Vandinha Valle

 

 

 

sábado, 25 de junho de 2011

DENTRO DO ESPELHO

Eu queria poder dizer de mim com calma e harmonia  mas fervo em temperatura ácida. 

À minha volta a escuridão enerva os meus sentidos. Tenho medo do gotejar da torneira e a sombra da geladeira cresce sempre que a luz tremula.

AH! que dor imensa é  essa!!! Estou  no território dos insanos. 

Piso na lava e a febre  me detona.... 

Fico a esperar que o tempo faça–me... 

 Quero  falar ao mundo e ao tempo,  todos os tempos.

           Penso loucamente  que a loucura é um caminho liquido e leve e  gargalho nesse caminho.Só percebo   alívio num possível oásis de flores que beijo calada.

           Entendo, ainda que ninguém entenda, que eu  estou semeando  

Mas sei que os brotos virão um dia, tão  mais tarde, muito mais tarde, quando não haverá  sequer tempo para a colheita.

Ainda assim planto! 

O pranto  pranteia o cosmo com a minha palavra rude, com o meu sentir mudo, com o meu silêncio tão agudo. E...

Sigo cegamente, tateando nessa sombra incerta e permanente, desvencilhando da luz aqui e ali como se houvesse bebido muito vinho.  

 Escrevo aqui  a palavra dos loucos e caio de bruços  no solo  seco,  trincado e vazio. 

Só ali abro bem os olhos para ver e nada vejo pois a essa hora já se  faz luz de cegar olheiro. 

 Perco  o trem da história por causa disso!   

Vandinha valle

sexta-feira, 17 de junho de 2011

SEMEANDO


 


Às vezes os meus sentimentos são enormes

E me devoram.

Eu quero gritar os meus pensamentos....

 
Sorrir com música...  Beijar com os olhos ...

Bom, eu  queria mesmo era fincar uma caneta num papel...

Fundo...bem fundo.. como se plantasse árvores. 

Vandinha Valle








quarta-feira, 8 de junho de 2011

PAZ

A paz pode às vezes ser tão pura,

Tão suave  tão linda e desejada,

Uma casa simples onde dura

O amor, os  filhos um    camarada.



A trepadeira subindo no telhado

Enchendo de perfume as madrugadas;

O beijo quente doce demorado,

Mãos que se buscam apaixonadas.



Um terreiro, jardins, uma floreira,.

O perfume suave,  a cama quente

lá fora a chuva e dentro uma goteira.



Um jantar a dois, um vinho leve,

Uma saudade, um verso ardente,

Uma  viagem...  ou  um retorno breve!



Vandinha Valle