Betim precisa da chuva.
Dessa chuva criadeira
Que corre a noite inteira
Fazendo a gente vibrar.
Uma chuva tão miúda
Que lave o meu telhado,
Que molhe o meu jardim,
Que floresça o meu jasmim
Que faça brotar o capim,
Que regue inteiro o meu sábado.
Que lave as pedras da rua,
Que faça a praça tão nua,
Que cause inveja a lua
Da beleza que causar.
Que faça a terra saciada,
E que forme corredeiras;
E nos cantos das calçadas
Forme grande enxurrada,
Onde eu possa pisar
E voltar as brincadeiras.
E quando o sol voltar
Eu sinta cheiro de terra.
Nas folhas, os pingos d’água
Ainda brilhem como contas.
Estrelas de cinco pontas
Caindo por sobre a terra
Fazendo a gente cantar
Nessa terra de Betim
Meu amor, meu querubim.
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