Doce pecado
Naquela boca mora um beijo:
Casual às vezes, inocente outras,
mas atrevido, indecente, debochado,
a me esperar distraidamente.
Impertinente me sorri...
Sinaliza para mim.
Inconveniente se insinua,
Imoral me torna nua!
Beijo feiticeiro que me expõe sem censura
E me constrange
pronto a saltar sobre mim
cegando a minha compostura,
destravando os meus conceitos,
alterando os meus costumes.
Naquela boca mora um beijo maldito
Que caminha no meu caminho,
Que dorme no meu sono,
Que ronda o meu pensamento.
Beijo vadio...
Exposto como numa moldura!
Inquieto, ele resvala na minha palavra!
Letal, acelera o coração no peito!
Ardido, acende o rubor na minha face e
Tão suave que me faz leve e convalescente.
Beijo doce que mora naquela boca tão doce
E que me torna diabética.
De hortelã, de aniz, de canela,
Beijo de beijo
que machuca e que cura
que adoece e que restabelece,
que agoniza e que ressuscita ,
que acalma e que desespera .
ah! essa boca do sim e do não
que me atordoa, me espreita
e não me pertence.
Ah beijo da boca do inferno e
da porta do céu !
Indecente, sem censura, sem medo,
Sem vergonha,
E que mora naquela boca proibida,
Naquela boca ...
Vandinha valle
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