segunda-feira, 29 de agosto de 2011

INQUIETAÇÃO


 Estamos ante a vida em falso alarde!
Vivendo maus momentos o que é pior.
Se o tempo que passou  já passou tarde,
O dia de amanhã será melhor.

Olhamos sempre o ontem, e enfraquecidos
Caímos em desanimo. Em pouco tempo
Nos sentimos sós e envelhecidos
Num misto de dor e desalento.

Vividos, os momentos já se foram,
E não se perde tempo com momentos;
Acode os próximos, antes que te corram.

Resida na coragem, a energia
Que guia a alma e pensamentos
Que te passará mais leve o dia!

Vandinha Valle





quarta-feira, 24 de agosto de 2011

AVESSO

Ah quantas vezes me senti tão feia,
Tão só, tão seca, uma terra agreste.
Uma aranha qualquer arrancada à teia,
Um  cão vadio, a própria peste!

E quantas vezes me senti escura
Tão negra e triste uma noite fria,
Os olhos vagos, um cego que procura
Desesperado, o clarão do dia.

Ah! mas quantas vezes  me senti tão linda,
Tão suave  e morna como o por do sol;
A aurora doce , uma nova vida.

E quantas vezes me senti tão tola
Solta e leve, nuvens no espaço...
Que até  brinco de poeta em meu pedaço.

Vandinha  Valle




sexta-feira, 19 de agosto de 2011

AMOR SEM FIM


 

Ah meus filhos quando a noite cai
e o silencio invade a casa docemente,       
a respiração calma,  de repente
eu me sinto tão só em meu cansaço.
Vocês dormem tranqüilos, e finalmente
eu me sento ao seu lado e os abraço.

Dormem.. mas o meu coração aflito         
Corre a vê-los e ternamente eu os fito
como se fora  perdê-los de repente..
Uma lágrima brota levemente
e a mão que os castigou durante o dia
 se ergue em grande agonia    
a prende-los  contra o peito, fortemente.  

Ah meus filhos que ternura imensa
Me  inspiram esses anjos tão benditos,
Que  fazem os meus dias mais bonitos,
Que fazem minha vida menos tensa.
Durmam com Deus, tutu não vem pegar;
Que  o boi   boi da cara preta
Não tem medo de careta,
É só uma cantiga de ninar...



Vandinha Valle





quinta-feira, 18 de agosto de 2011

SOPRO

 
Recebe-se a absolvição  de Deus no exato instante
Em que nos entregamos ao amor primeiro!
A  Sua mão  se torna tão suave
Que é possível senti-la em nossa  face
No supremo momento,  quase desvalidos,
Em que nos vemos nus e desnutridos.
AH! de tanto amor fica-se ausente,
A alma vaga, febril, o coração ardente!
Nos olhos derramados
Há um misto de dor, amor e agonia.
E agudo se torna o próprio medo!
Deus que é portador de todo esse segredo
Assopra esse pedaço de argila ainda mutilado
E faz desse pecado abrigo para um novo dia.
O perdão  alisa essas entranhas!
E no sabor da aurora que desperta
Aquece-se e se enrosca nas cobertas
Esse corpo que, ainda, há pouco era chama.
No renascer do dia há esperança
De se viver entre flores coloridas,
De se gritar ao mundo essa criança
E de  nutrir com vida outras vidas.


Vandinha valle



sábado, 13 de agosto de 2011

CANTO DE DESPEDIDA



Eu vou embora ...  já é hora!
Consulto o relógio, agora
É tempo de caminhar.
Do tempo que aqui passei
Alguma tristeza levei,
Alguma alegria deixei,
Saudades...não vou negar!

Mas parto na hora certa
Que a vida de tão incerta
Mostrou-me um novo caminho.
Eu já vou, e vou sozinho
Que na falta de um carinho
Não hei de culpar ninguém.
Prefiro que me queiram bem !

Ao sair nesse portão
Com  os pés fincados no chão,
Nos olhos uma gota d’água,
No peito um tom de mágoa.
Mas levo também bons momentos...
Um cheiro bom...  e  aos quatro ventos
Louvores hei de contar.

E se acaso não voltar
Sequer pra visitar
Não pense que sou ingrato,
Pois  coração de gaiato
Não tenho.  E me conheces!
Daqueles que não mais se esquece
Os bons momentos que viveu.
Mas um tempo que morreu
Não vale a pena lembrar
Só vai nos fazer chorar!

Adeus! E sem mais delonga
Me mando, que a viajem é longa!
E quanto mais me seguras
Nesse calor e brandura
Mais me decido a ir.
Que o tempo urge é fumaça,
E de leve  como a cachaça
Sobe rápido, mas passa.
Costuma é fazer cair!


Vandinha Valle 
































sábado, 6 de agosto de 2011

ENCANTAMENTO





Enquanto caminhava riscava o chão com uma vara de ponta.
Olhava, encantada, o fio que sangrava a terra e  às vezes corria sentindo a brisa fria corar-lhe a face.
Colhia flores de todas as cores e ornamentava o colo seguindo um ritual lento: Primeiro as flores amarelas, depois as alaranjadas e por fim as vermelhas.  Ficava, assim, a olhar o céu como se o visse pela primeira vez e suspirava  estrelas.  Lançava-se ao espaço como se tivesse asas  e mergulhava num mar imaginário como se tivesse vida. Era assim meio impossível e muito súbita e  repetia-se e era trivial, insensata e brilhante. Sonhava  todas as noites o mesmo sonho e acordava  de humor claro.   Súbitas eram todas as suas expectativas  e  possibilidades  e  vivia de maneira única e possível, entretanto.


Vandinha Valle


segunda-feira, 1 de agosto de 2011

RASCUNHO


Menina chata  chorona
Lambona molenga
Arteira treteira
Sem graça sem força,
Sem tino.
Crivada de sonhos,
Cega de mágoas,
Muda de espanto.
Pedinte,  carente, humilhada.
Escorraçada, seviciada,
Sem horizonte, sem serventia.
Pudesse viver...
Pudesse existir...
Pudesse falar...


Vandinha Valle