quarta-feira, 24 de agosto de 2011

AVESSO

Ah quantas vezes me senti tão feia,
Tão só, tão seca, uma terra agreste.
Uma aranha qualquer arrancada à teia,
Um  cão vadio, a própria peste!

E quantas vezes me senti escura
Tão negra e triste uma noite fria,
Os olhos vagos, um cego que procura
Desesperado, o clarão do dia.

Ah! mas quantas vezes  me senti tão linda,
Tão suave  e morna como o por do sol;
A aurora doce , uma nova vida.

E quantas vezes me senti tão tola
Solta e leve, nuvens no espaço...
Que até  brinco de poeta em meu pedaço.

Vandinha  Valle




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