Ah quantas vezes me senti tão feia,
Tão só, tão seca, uma terra agreste.
Uma aranha qualquer arrancada à teia,
Um cão vadio, a própria peste!
E quantas vezes me senti escura
Tão negra e triste uma noite fria,
Os olhos vagos, um cego que procura
Desesperado, o clarão do dia.
Ah! mas quantas vezes me senti tão linda,
Tão suave e morna como o por do sol;
A aurora doce , uma nova vida.
E quantas vezes me senti tão tola
Solta e leve, nuvens no espaço...
Que até brinco de poeta em meu pedaço.
Vandinha Valle
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