sábado, 6 de agosto de 2011

ENCANTAMENTO





Enquanto caminhava riscava o chão com uma vara de ponta.
Olhava, encantada, o fio que sangrava a terra e  às vezes corria sentindo a brisa fria corar-lhe a face.
Colhia flores de todas as cores e ornamentava o colo seguindo um ritual lento: Primeiro as flores amarelas, depois as alaranjadas e por fim as vermelhas.  Ficava, assim, a olhar o céu como se o visse pela primeira vez e suspirava  estrelas.  Lançava-se ao espaço como se tivesse asas  e mergulhava num mar imaginário como se tivesse vida. Era assim meio impossível e muito súbita e  repetia-se e era trivial, insensata e brilhante. Sonhava  todas as noites o mesmo sonho e acordava  de humor claro.   Súbitas eram todas as suas expectativas  e  possibilidades  e  vivia de maneira única e possível, entretanto.


Vandinha Valle


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